quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Vi de perto, muito de perto, como a administração municipal é indiferente ao futuro da Pérola do Atlântico

Luciano Alberto
Sou Luciano Alberto de Souza Silva, 31 anos. Nos últimos 4 anos fui Conselheiro Tutelar de Guarujá. Pude confirmar de perto, por estar à disposição das crianças e dos adolescentes 24 horas por dia, dos bairros mais abandonados desta cidade (Sítio do Conceiçãozinha, Vicente de Carvalho, Favela do Caixão, Aldeia, Santa Cruz dos Navegantes, Perequê etc) o desprezo que a Prefeitura Municipal de Guarujá trata as crianças filhas de pobres.
E, por tabela, vi de perto, muito de perto, como a administração municipal é indiferente ao futuro da Pérola do Atlântico, como éramos conhecidos no mundo inteiro.
Senti na própria pele, como uma dor de dente que me cortava o coração, o desespero de famílias inteiras, de pais e de mães. Muitas vezes o pânico das mães solteiras, largadas pelos seus companheiros, tentando buscar não mais o futuro para seus filhos e filhas. Mães que largavam seus filhos nos barracos insalubres e saíam em busca desesperada não mais do futuro, mas o próximo prato de comida; ou de um cobertor, ou de um medicamento, que aliviasse a dor, a febre e que afastasse, nem que seja por uma noite, o medo da morte que rondava seus lares.
Mães que nos procuravam em gritos de desespero porque não conseguiram sensibilizar nenhum dos responsáveis pela administração pública de Guarujá. E que percebem que perdem seus filhos e filhas para o crime organizado, para os pedófilos de plantão, para todo o tipo de coisa ruim, porque a Prefeitura de Guarujá adotou uma política pública de descaso com os filhos e filhas das famílias desamparadas da cidade.
Durante 4 anos como Conselheiro Tutelar sofri junto com essas crianças cheias de energia. Vi nelas flores maravilhosas prontas para confirmar o destino maravilhoso deste pedaço de paraíso que um dia já foi chamada de a Pérola do Atlântico.
Mas que hoje transforma suas crianças em pérolas que são jogadas intencionalmente aos porcos do crime organizado, ávidos por transformar nossos meninos e meninas em aviõezinhos, em gerentes do tráfico, em instrumentos do mal.
Pude ver de perto mães e pais desesperados buscando atividades para seus filhos e encontrando as portas dos CAECs (Centro Assistencial Esportivo Comunitário) fechadas aos sábados, domingos e feriados. Fechadas também nas férias escolares de julho e de dezembro.
Vi crianças de 8 e 10 anos sendo obrigadas por adultos ao trabalho forçado nos faróis para vender trufas; ou a pedir esmolas enquanto fingem que praticam malabares. A se transformarem num cartão postal degradante para os turistas que nos visitam, nas principais entradas da cidade.
Essas atividades forçadas desenham o futuro de grande parte de nossas crianças, a maioria filhas de pais e mães pobres. Sem que a administração pública interfira. O que anima os grandes gestores do crime organizado a recrutar essa mão de obra infantil e sem perspectiva de qualquer tipo de futuro decente.
O resultado a gente vê nas estatísticas policiais. E só quem conviveu de perto com as emoções dos pais e mães dessas crianças consegue avaliar a dor de perder filho a filho, filha a filha para as atividades ilegais.
Quando poderiam estar praticando esportes, aprendendo música e artes em ambientes públicos, sustentados com verbas municipais, estaduais e federais, se conseguirmos um prefeito que se decida, de fato, construir o futuro que Guarujá merece.
Um prefeito que saiba que para termos um futuro que resgate a Pérola do Atlântico que já fomos, que será necessário proteger além de nossas belezas naturais, a vida e a alegria de nossas crianças, de todos os extratos sociais. Ajudar seus pais a torná-las cidadãs do bem, artistas e trabalhadores que resgatarão Guarujá para todos nós.

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